Você sofreu um acidente de trabalho e, pouco tempo depois de retornar, foi demitido? Ou, por outro lado, é empresa e está com receio de dispensar um funcionário que ficou afastado pelo INSS?
Seja qual for o seu lado, uma coisa é certa: a estabilidade após acidente de trabalho é um dos direitos mais importantes e também mais descumpridos da legislação trabalhista brasileira.
Portanto, entender exatamente quem tem direito, quando começa, quanto tempo dura e quando a demissão é ilegal é essencial para evitar prejuízos e processos judiciais.
Ao longo deste artigo, você vai compreender tudo de forma clara, estratégica e com base no entendimento consolidado da Justiça do Trabalho.
O Que é a Estabilidade Após Acidente de Trabalho?
Antes de mais nada, é fundamental entender o conceito.
A estabilidade após acidente de trabalho é uma garantia provisória de emprego concedida ao trabalhador que sofreu acidente ou desenvolveu doença ocupacional e precisou se afastar pelo INSS.
Em outras palavras, trata-se de uma proteção legal que impede a demissão sem justa causa por determinado período após o retorno ao trabalho.
Assim, o objetivo é evitar que o empregado seja dispensado justamente no momento em que ainda pode estar fisicamente ou emocionalmente fragilizado.
Quem tem direito à Estabilidade Após Acidente de Trabalho?
De modo geral, terá direito à estabilidade o empregado que:
- Sofreu acidente de trabalho ou doença ocupacional;
- Ficou afastado por mais de 15 dias;
- Recebeu auxílio-doença acidentário (B91);
- Retornou ao trabalho.
Portanto, não basta apenas sofrer o acidente. É necessário que haja afastamento previdenciário com concessão do benefício específico.
Qual é a Diferença entre B31 e B91?
Esse é um dos pontos mais importantes e, ao mesmo tempo, mais confundidos.
Auxílio-doença comum (B31)
É concedido quando a incapacidade não tem relação com o trabalho.
Auxílio-doença acidentário (B91)
É concedido quando a incapacidade decorre de acidente de trabalho ou doença ocupacional.
E aqui está o detalhe crucial:
Somente o B91 gera estabilidade automática.
Entretanto, ainda que o INSS conceda B31, a Justiça do Trabalho pode reconhecer o nexo com o trabalho e garantir a estabilidade judicialmente.
Quanto Tempo Dura a Estabilidade Após Acidente de Trabalho?
De acordo com a legislação e o entendimento consolidado dos tribunais, a estabilidade dura:
12 meses após o retorno ao trabalho
Ou seja, a contagem começa no momento em que o empregado recebe alta do INSS e volta às suas atividades.
Assim sendo, durante esse período, a empresa não pode dispensar o trabalhador sem justa causa.
A Empresa Pode Demitir Durante o Afastamento?
Não.
Enquanto o contrato está suspenso por motivo de afastamento previdenciário, a empresa não pode realizar a dispensa.
Além disso, mesmo após o retorno, existe o período de estabilidade de 12 meses, conforme já explicado.
Portanto, demitir nesse intervalo costuma gerar nulidade da dispensa.
E Se a Empresa Não Emitir a CAT?
Muitas empresas acreditam que, se não emitirem a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), não haverá estabilidade.
No entanto, isso não é verdade.
Ainda que a empresa se recuse a emitir a CAT, o trabalhador pode:
- Registrar a CAT diretamente;
- Solicitar reconhecimento no INSS;
- Buscar reconhecimento judicial do acidente.
Consequentemente, a ausência da CAT não elimina o direito à estabilidade.
Doença Ocupacional Também Gera Estabilidade?
Sim. E esse ponto merece atenção.
Além do acidente típico (queda, fratura, corte etc.), a estabilidade também se aplica às chamadas doenças ocupacionais, como:
- Lesão por esforço repetitivo (LER/DORT);
- Problemas na coluna decorrentes da atividade;
- Doenças psicológicas relacionadas ao ambiente de trabalho.
Assim, se houver nexo entre a doença e o trabalho, haverá direito à estabilidade.
A Empresa Pode Demitir por Justa Causa Durante a Estabilidade?
Sim, mas com cautela extrema.
Embora exista estabilidade, ela não impede a dispensa por justa causa. Contudo, a falta grave precisa ser:
- Comprovada;
- Proporcional;
- Bem documentada.
Caso contrário, a demissão pode ser revertida judicialmente.
O Que Acontece Se a Empresa Demitir Durante a Estabilidade?
Se a demissão ocorrer durante o período de estabilidade, as consequências podem ser severas.
Reintegração ao Emprego
Em primeiro lugar, a Justiça pode determinar o retorno do trabalhador à função anteriormente exercida.
Além disso, todos os salários e benefícios do período afastado deverão ser pagos.
Indenização Substitutiva
Por outro lado, se a reintegração não for possível, por exemplo, se o período de estabilidade já tiver terminado a empresa poderá ser condenada a pagar:
- Salários de todo o período;
- FGTS;
- Férias + 1/3;
- 13º salário;
- Demais reflexos legais.
Consequentemente, o impacto financeiro pode ser significativo.
A Estabilidade Existe Mesmo Sem Receber o B91?
Em regra, o B91 é requisito essencial.
Contudo, se ficar comprovado judicialmente que a doença ou acidente tem relação com o trabalho, a estabilidade pode ser reconhecida mesmo que o INSS tenha concedido B31.
Assim, o Judiciário pode corrigir eventual erro administrativo.
Erros Mais Comuns das Empresas em Casos de Acidente de Trabalho
Infelizmente, muitos empregadores ainda cometem falhas graves, como:
- Não investigar corretamente o acidente;
- Não emitir CAT;
- Pressionar o empregado a pedir demissão;
- Demitir logo após o retorno do INSS.
Como consequência, essas atitudes quase sempre resultam em ações trabalhistas.
O Que o Trabalhador Deve Fazer se For Demitido Após Acidente?
Caso a demissão ocorra durante o período de estabilidade, é fundamental agir rapidamente.
Recomenda-se:
- Guardar laudos e exames médicos;
- Reunir documentos do afastamento;
- Confirmar o tipo de benefício recebido;
- Buscar orientação jurídica especializada.
Quanto antes agir, maiores serão as chances de êxito.
A Importância da Estabilidade Após Acidente de Trabalho
Em síntese, essa estabilidade existe para proteger o trabalhador em um momento delicado da vida profissional.
Para o empregado, representa segurança.
Para a empresa, por outro lado, impõe responsabilidade e cautela na gestão de pessoas.
Conclusão
Diante de tudo o que foi exposto, fica evidente que a estabilidade após acidente de trabalho é um direito sólido, amplamente reconhecido e frequentemente discutido na Justiça do Trabalho.
Assim, ignorar essa garantia pode resultar em:
- Reintegração obrigatória;
- Indenizações elevadas;
- Passivos trabalhistas expressivos.
Portanto, conhecer e respeitar esse direito é essencial para evitar prejuízos e conflitos judiciais.
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