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Pedro Carvalho Advogado Trabalhista

Quanto Vale uma Ação por Falsa Pejotização? Veja Como Calcular os Direitos

Você trabalhou durante anos como PJ, mas tinha horário fixo, recebia ordens, participava de reuniões obrigatórias e precisava seguir a rotina da empresa? Além disso, depois de ser dispensado, descobriu que poderia ter direitos trabalhistas que nunca recebeu?

Nesse caso, uma das primeiras perguntas que provavelmente surge é: quanto vale uma ação por falsa pejotização?

Essa dúvida é completamente compreensível. Afinal, quando o trabalhador descobre que pode ter sido contratado como Pessoa Jurídica apenas para evitar o reconhecimento do vínculo empregatício, ele naturalmente quer saber quanto poderia receber.

No entanto, não existe um valor único para uma ação de falsa pejotização. Pelo contrário, o resultado depende de diversos fatores. Por exemplo, o salário, o tempo de trabalho, a jornada, a forma de encerramento do contrato e os direitos que ficaram sem pagamento podem alterar bastante o valor.

Além disso, as provas disponíveis também fazem diferença. Por esse motivo, duas pessoas que trabalharam como PJ durante períodos semelhantes podem ter resultados completamente diferentes.

Portanto, neste artigo, você vai entender quais fatores influenciam o valor de uma ação, quais direitos podem entrar no cálculo e como fazer uma estimativa inicial.

O que determina o valor de uma ação por falsa pejotização?

Primeiramente, é importante entender que o valor de uma ação trabalhista não depende apenas do fato de o trabalhador ter atuado como PJ.

Antes de tudo, a Justiça precisa analisar se realmente existia uma relação de emprego.

Além disso, depois de reconhecer o vínculo, o processo pode envolver diferentes verbas trabalhistas.

Por exemplo, o trabalhador pode discutir FGTS, férias, 13º salário, aviso-prévio, horas extras e outras parcelas, dependendo das características da relação.

Dessa forma, quanto mais direitos o trabalhador conseguir demonstrar, maior poderá ser o valor da ação.

O salário influencia diretamente o valor da ação

Um dos principais fatores que influenciam o cálculo é a remuneração recebida pelo trabalhador.

Isso acontece porque diversas verbas trabalhistas utilizam o salário como base de cálculo.

Por exemplo, o valor do 13º salário acompanha a remuneração. Da mesma forma, as férias e o adicional constitucional de um terço dependem da remuneração correspondente.

Além disso, os depósitos de FGTS também utilizam a remuneração como referência.

Consequentemente, um trabalhador que recebia R$3.000 por mês terá uma base de cálculo diferente daquele que recebia R$8.000.

Por esse motivo, guardar contratos, notas fiscais, comprovantes bancários e outros documentos relacionados aos pagamentos é muito importante.

O tempo de trabalho também faz diferença

Além do salário, o período trabalhado possui grande importância.

Imagine, por exemplo, que duas pessoas recebam exatamente a mesma remuneração. Uma trabalhou durante seis meses, enquanto a outra permaneceu cinco anos na empresa.

Naturalmente, os valores envolvidos podem ser bastante diferentes.

Isso acontece porque o trabalhador que permaneceu mais tempo pode acumular mais períodos de férias, 13º salário, FGTS e outras parcelas.

Portanto, quanto maior o período reconhecido como vínculo empregatício, maior poderá ser o conjunto de direitos discutidos.

FGTS pode aumentar significativamente o valor

O FGTS costuma representar uma parcela importante em ações envolvendo falsa pejotização.

Isso porque, durante um contrato de emprego, a empresa deveria realizar os depósitos correspondentes ao fundo.

Entretanto, quando a empresa contrata o trabalhador como PJ, normalmente não realiza esses depósitos.

Consequentemente, se a Justiça reconhecer o vínculo, o trabalhador poderá cobrar os valores correspondentes ao período reconhecido, observadas as regras de prescrição aplicáveis ao caso.

Além disso, dependendo da forma de encerramento do contrato, também pode existir discussão sobre a multa de 40% do FGTS.

Por esse motivo, o FGTS pode representar uma parcela relevante do valor total da ação.

Férias também entram no cálculo

Outro direito que pode aumentar consideravelmente o valor da ação envolve as férias.

Se a Justiça reconhecer o vínculo, o trabalhador poderá discutir os períodos de férias que a empresa não concedeu ou não pagou corretamente.

Além disso, existe o adicional constitucional de um terço.

Dessa forma, o cálculo não considera apenas o valor correspondente ao salário do período. Em determinadas situações, também existe o acréscimo constitucional.

Consequentemente, contratos de longa duração podem gerar valores relevantes relacionados às férias.

E o 13º salário?

Da mesma forma, o 13º salário pode entrar no cálculo.

Durante um vínculo empregatício reconhecido judicialmente, o trabalhador pode cobrar os valores correspondentes aos períodos em que a empresa deixou de pagar essa verba.

Além disso, o cálculo pode considerar os períodos proporcionais, conforme as circunstâncias do contrato.

Portanto, mesmo que o trabalhador tenha recebido pagamentos mensais como PJ, ele poderá discutir o 13º salário caso a Justiça reconheça a relação de emprego.

Aviso-prévio pode fazer parte da ação

A forma como a relação terminou também influencia o valor.

Por exemplo, se a empresa encerrou a relação sem justa causa, o trabalhador poderá discutir o aviso-prévio, caso a Justiça reconheça o vínculo e estejam presentes os requisitos legais.

Além disso, o período do aviso pode variar conforme o tempo de serviço.

Consequentemente, trabalhadores com contratos mais longos podem ter valores diferentes daqueles que permaneceram por períodos menores.

Horas extras podem aumentar o valor da ação

Agora chegamos a um dos pontos que mais podem alterar o cálculo: as horas extras.

Isso porque alguns trabalhadores contratados como PJ cumprem jornadas extensas.

Por exemplo, imagine uma pessoa que deveria trabalhar durante determinado horário, mas permanecia diariamente várias horas além desse período.

Além disso, imagine que a empresa controlava sua jornada por aplicativo, sistema, mensagens ou reuniões.

Nesse cenário, o trabalhador poderá discutir o reconhecimento da jornada e o pagamento das horas extraordinárias, desde que consiga demonstrar os fatos relevantes.

Consequentemente, uma jornada extensa durante vários anos pode representar uma diferença considerável no valor da ação.

O controle de jornada é importante para calcular horas extras

Para calcular horas extras, não basta dizer que trabalhava muito.

Por esse motivo, as provas possuem grande importância.

Por exemplo, podem ajudar:

  • registros de ponto;
  • mensagens enviadas fora do horário;
  • e-mails;
  • registros de login;
  • sistemas internos;
  • agendas;
  • reuniões;
  • testemunhas.

Além disso, conversas de WhatsApp podem ajudar a demonstrar horários de início, término e cobranças realizadas fora da jornada.

Dessa forma, quanto mais elementos existirem para demonstrar a rotina, mais consistente poderá ser a discussão sobre as horas extras.

Adicionais também podem entrar no cálculo

Dependendo da atividade exercida, o trabalhador também poderá discutir outros direitos.

Por exemplo, determinadas funções podem envolver trabalho noturno, exposição a agentes insalubres ou atividades perigosas.

Nessas situações, o trabalhador poderá avaliar a possibilidade de cobrar os adicionais correspondentes, desde que os requisitos legais estejam presentes.

Além disso, em algumas situações, o juiz poderá determinar uma perícia técnica para verificar as condições de trabalho.

Portanto, a profissão exercida e o ambiente de trabalho também podem influenciar o valor final da ação.

A forma de encerramento do contrato importa

Outro ponto importante é descobrir como a relação terminou.

Afinal, uma pessoa que pediu para sair possui uma situação diferente daquela que sofreu uma dispensa sem justa causa.

Da mesma forma, o encerramento por iniciativa da empresa pode gerar direitos diferentes daqueles relacionados a outras formas de término da relação.

Por isso, o advogado precisa analisar não apenas o período trabalhado, mas também a forma como ocorreu o desligamento.

Consequentemente, documentos relacionados ao encerramento do contrato também são importantes.

Quanto uma ação por falsa pejotização pode valer?

Essa é uma pergunta difícil de responder sem analisar os dados concretos.

Ainda assim, podemos entender a lógica.

Imagine um trabalhador que recebia R$5.000 por mês e trabalhou durante vários anos.

Além disso, suponha que ele não recebeu férias, 13º salário e FGTS durante todo o período e ainda realizava horas extras.

Nesse caso, o valor discutido poderá ser significativamente maior do que o de um profissional que trabalhou poucos meses e não realizava horas extraordinárias.

Portanto, não é seguro apresentar um valor padrão para todas as ações.

Em vez disso, o ideal é levantar as informações do contrato e calcular cada verba separadamente.

Exemplo simplificado de cálculo

Para facilitar a compreensão, imagine uma situação hipotética.

Um trabalhador recebeu R$5.000 mensais durante determinado período e a Justiça reconheceu o vínculo.

Nesse cenário, o cálculo poderá considerar, conforme o caso:

Primeiramente, os valores relacionados ao 13º salário.

Além disso, as férias acrescidas do terço constitucional.

Da mesma forma, os depósitos de FGTS.

Posteriormente, eventual multa de 40% do FGTS, caso estejam presentes os requisitos.

Ainda, o aviso-prévio e outras verbas rescisórias cabíveis.

Por fim, eventuais horas extras e adicionais.

Perceba, portanto, que o valor não surge de uma única conta. Pelo contrário, o advogado precisa somar diferentes parcelas.

O trabalhador recebe exatamente o valor calculado?

Não necessariamente.

Isso porque o valor apresentado em uma ação representa uma estimativa ou os pedidos formulados no processo.

Posteriormente, durante a tramitação, a empresa poderá apresentar sua defesa.

Além disso, o juiz poderá reconhecer apenas parte dos pedidos.

Por outro lado, também pode determinar o pagamento de parcelas que tenham ficado comprovadas durante o processo.

Consequentemente, o valor inicialmente estimado pode sofrer alterações.

O acordo pode mudar o valor recebido

Além da sentença, as partes podem negociar um acordo.

Nesse caso, o trabalhador e a empresa podem chegar a um valor para encerrar o processo.

No entanto, a decisão de aceitar ou não um acordo deve considerar diversos fatores.

Por exemplo, é importante analisar as provas, os riscos do processo, o tempo de tramitação e os valores envolvidos.

Dessa forma, não é recomendável aceitar uma proposta simplesmente porque parece alta à primeira vista.

Quais documentos ajudam a calcular o valor?

Antes de procurar orientação jurídica, o trabalhador pode organizar os documentos que possui.

Por exemplo:

  • contratos de prestação de serviços;
  • notas fiscais;
  • comprovantes de pagamento;
  • extratos bancários;
  • mensagens;
  • e-mails;
  • documentos de contratação;
  • registros de jornada;
  • documentos de desligamento;
  • comprovantes de férias concedidas;
  • comunicações internas.

Além disso, é importante organizar os documentos por período.

Dessa maneira, o profissional responsável pela análise conseguirá compreender melhor a evolução da relação de trabalho.

As notas fiscais impedem a cobrança de direitos?

Não necessariamente.

A emissão de notas fiscais demonstra que o trabalhador atuava formalmente como prestador de serviços.

No entanto, esse documento, isoladamente, não resolve a discussão sobre a existência ou não de vínculo empregatício.

Por outro lado, a Justiça pode analisar como a relação realmente funcionava.

Em outras palavras, o trabalhador pode ter emitido notas fiscais e, ainda assim, discutir o reconhecimento de vínculo, dependendo das circunstâncias concretas.

Por esse motivo, não descarte a possibilidade de buscar orientação apenas porque você emitiu notas fiscais durante todo o período.

Quem trabalhou como PJ pode cobrar direitos dos últimos anos?

Em regra, a legislação trabalhista estabelece limites temporais para a cobrança de direitos.

De modo geral, o trabalhador pode cobrar créditos referentes aos últimos cinco anos, observando também o prazo de dois anos após o término do contrato para ajuizar a ação.

Entretanto, a aplicação da prescrição depende das circunstâncias concretas.

Por isso, não é recomendável esperar.

Afinal, quanto mais tempo passa, maior pode ser a dificuldade para reunir documentos e localizar testemunhas.

A prova pode influenciar mais do que o tempo de contrato

Embora o tempo de trabalho seja importante, as provas também possuem grande peso.

Por exemplo, um trabalhador pode ter permanecido cinco anos como PJ, mas possuir poucas provas sobre a subordinação.

Por outro lado, outro profissional pode ter trabalhado por um período menor, mas possuir mensagens, documentos e testemunhas que demonstrem claramente a rotina de empregado.

Consequentemente, a análise não deve considerar apenas a duração do contrato.

Quais provas ajudam a demonstrar a falsa pejotização?

Primeiramente, mensagens e e-mails podem demonstrar ordens diretas.

Além disso, registros de jornada podem indicar controle de horário.

Da mesma forma, documentos internos podem demonstrar que o trabalhador estava integrado à estrutura da empresa.

Por outro lado, testemunhas podem explicar como a rotina realmente funcionava.

Portanto, reunir provas é uma etapa fundamental para quem pretende discutir uma possível falsa pejotização.

Como calcular uma ação por falsa pejotização?

De forma simplificada, o cálculo pode seguir algumas etapas.

Primeiramente, identifique o período de trabalho que poderá ser discutido.

Em seguida, levante a remuneração recebida durante cada período.

Depois, identifique quais direitos trabalhistas não foram pagos.

Além disso, verifique se existiam horas extras, trabalho noturno, insalubridade ou periculosidade.

Posteriormente, analise a forma de encerramento da relação.

Por fim, reúna todos os documentos e submeta os dados a uma análise jurídica e contábil adequada.

Dessa forma, o trabalhador consegue chegar a uma estimativa muito mais próxima da realidade.

Vale a pena entrar com uma ação por falsa pejotização?

Essa decisão depende de cada situação.

No entanto, se você trabalhou como PJ durante anos, mas cumpria rotina típica de empregado, vale a pena buscar uma análise profissional.

Afinal, pode existir uma diferença significativa entre o que você recebeu como prestador de serviços e aquilo que poderia ter recebido caso a empresa tivesse reconhecido corretamente o vínculo.

Além disso, uma análise jurídica pode identificar direitos que o trabalhador sequer sabia que poderia discutir.

Por esse motivo, não tome uma decisão apenas com base em cálculos encontrados na internet.

Conclusão

A pergunta “quanto vale uma ação por falsa pejotização?” não possui uma resposta única.

Isso acontece porque cada trabalhador possui uma história diferente.

Além disso, o valor depende da remuneração, do tempo de contrato, da jornada, da forma de desligamento e dos direitos que ficaram sem pagamento.

Consequentemente, uma ação pode envolver FGTS, férias, 13º salário, aviso-prévio, horas extras, adicionais e outras verbas, dependendo das circunstâncias.

Portanto, se você trabalhou como PJ, mas acredita que exercia uma verdadeira função de empregado, não olhe apenas para o valor recebido mensalmente.

Em vez disso, analise todo o período de trabalho.

Além disso, reúna suas provas, organize seus documentos e procure orientação jurídica para entender quais direitos podem existir.

Afinal, muitas vezes, o prejuízo da falsa pejotização não aparece no salário mensal. Pelo contrário, ele aparece nos direitos que o trabalhador deixou de receber durante meses ou até anos.

Perguntas Frequentes

Quanto posso receber em uma ação por falsa pejotização?

O valor varia conforme o salário, o período trabalhado, a jornada e os direitos reconhecidos. Além disso, horas extras e adicionais podem aumentar significativamente o valor.

PJ pode cobrar FGTS?

Se a Justiça reconhecer o vínculo empregatício, o trabalhador poderá discutir os depósitos de FGTS correspondentes ao período reconhecido, observadas as regras de prescrição.

Horas extras entram no cálculo da ação?

Sim, desde que o trabalhador consiga demonstrar a jornada realizada e os demais requisitos aplicáveis. Por isso, mensagens, registros eletrônicos e testemunhas podem ajudar.

As notas fiscais impedem o reconhecimento do vínculo?

Não necessariamente. A emissão de notas fiscais demonstra a forma formal da contratação, mas a Justiça pode analisar a realidade da relação de trabalho.

Como saber quanto vale o meu caso?

Para chegar a uma estimativa mais precisa, é necessário analisar o salário, o período trabalhado, a jornada, a forma de desligamento, os pagamentos realizados e as provas disponíveis.

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